O vídeo começa como uma propaganda contra Lula, com números de um país em crise. Depois vira o jogo: esses números são do governo Bolsonaro, de 2019. E não dá para culpar a pandemia, porque ela só chegou em março de 2020. O problema, diz o vídeo, veio antes.
A pegadinha: números que não são de Lula
"Votar contra o Lula não significa gostar de Flávio nem de Bolsonaro", diz a abertura. "Significa dizer chega." E vêm os dados, com recortes da Folha de S.Paulo na tela.
Chega de um país que sangra dinheiro: um rombo de US$ 50,8 bilhões nas contas externas, "o maior em quatro anos", segundo a Folha. No gráfico, a barra de 50,8 aparece ao lado de uma menor, de 41,5.
Chega de um Brasil que vende menos: "as exportações brasileiras caíram de US$ 239 bilhões [...] para US$ 225 bilhões", também segundo a Folha.

Aí o vídeo para: "Espera aí. Esses números são de outro governo. O de Bolsonaro."
"Ah, mas teve a pandemia"
Não, responde o vídeo. Os dados são de 2019, antes da pandemia, que começou em março de 2020. A tela mostra uma reportagem da CartaCapital, de 16/02/2020: "Levantamento mostra piora na educação, saúde e social no 1º ano de Bolsonaro". Segundo o texto, a Folha de S.Paulo analisou 104 indicadores do primeiro ano de mandato.
E tem mais. Os dados seguintes vêm todos com a marca "Governo Bolsonaro · 2019" e a fonte Folha, de 16/02/2020.
Idoso meses na fila do INSS. Segundo a Folha, havia uma "fila de 1,3 milhão de pessoas com análise atrasada de pedidos de benefícios no INSS". São aposentadorias que, como diz o vídeo, já eram das pessoas por direito.
Comida sumindo da mesa. "O governo congelou o Bolsa Família mesmo nas regiões mais carentes", diz o trecho da Folha. A tela mostra três pratos, um deles vazio, com a inscrição "1 a cada 3 cidades mais pobres". Isso num governo que, segundo o vídeo, insistia em dizer que defendia o programa.

Floresta, sarampo, dívida e corrupção
O último quadro de dados reúne mais quatro números de 2019:
- A floresta virando fumaça: desmatamento na Amazônia 29,5% maior.
- Doença que já estava vencida: 18.203 casos de sarampo. Brasileiro morrendo de doença que o país já tinha vencido, antes mesmo da pandemia.
- Famílias com a maior dívida: 44,87% da renda, o maior nível desde 2015.
- O Brasil caindo no ranking de corrupção: 106º lugar.

"Eles queriam que você achasse que o problema foi o vírus", diz o vídeo. "O problema veio antes. Esse governo já era assim antes da pandemia começar."
Agora eles voltaram
Segundo o vídeo, os mesmos voltaram pedindo voto. Só trocaram o primeiro nome: sai Jair, entra Flávio. São mais de 20 anos como deputado e senador. O vídeo pergunta se você sabe dizer uma coisa relevante que ele fez pelo país. E se ele chegou até aqui por mérito próprio ou por ser filho do pai.
"Político é tudo igual"? Não é, responde o vídeo. Você pode discordar de Lula e criticar muita coisa que ele faz. Mas no segundo turno só há dois nomes na urna, e um deles é a volta de tudo isso.
Para o vídeo, votar em Lula significa barrar a volta dessa incompetência, da corrupção do Banco Master e do descaso com a saúde pública. Na tela, uma reportagem da Agência Pública, de 2026: "Áudio de Flávio Bolsonaro pedindo R$ 134 mi a Vorcaro vaza e abala direita brasileira".