Governo Bolsonaro em 2019: os números ruins vieram antes da pandemia

Rombo externo de US$ 50,8 bi, 1,3 milhão na fila do INSS, sarampo e desmatamento em alta: tudo em 2019, no governo Bolsonaro, antes da pandemia.

O vídeo começa como uma propaganda contra Lula, com números de um país em crise. Depois vira o jogo: esses números são do governo Bolsonaro, de 2019. E não dá para culpar a pandemia, porque ela só chegou em março de 2020. O problema, diz o vídeo, veio antes.

A pegadinha: números que não são de Lula

"Votar contra o Lula não significa gostar de Flávio nem de Bolsonaro", diz a abertura. "Significa dizer chega." E vêm os dados, com recortes da Folha de S.Paulo na tela.

Chega de um país que sangra dinheiro: um rombo de US$ 50,8 bilhões nas contas externas, "o maior em quatro anos", segundo a Folha. No gráfico, a barra de 50,8 aparece ao lado de uma menor, de 41,5.

Chega de um Brasil que vende menos: "as exportações brasileiras caíram de US$ 239 bilhões [...] para US$ 225 bilhões", também segundo a Folha.

Rombo de US$ 50,8 bilhões nas contas externas (ao lado de uma barra de 41,5) e exportações que caíram de US$ 239 bilhões para US$ 225 bilhões. Fonte: Folha de S.Paulo
Rombo de US$ 50,8 bilhões nas contas externas (ao lado de uma barra de 41,5) e exportações que caíram de US$ 239 bilhões para US$ 225 bilhões. Fonte: Folha de S.Paulo

Aí o vídeo para: "Espera aí. Esses números são de outro governo. O de Bolsonaro."

"Ah, mas teve a pandemia"

Não, responde o vídeo. Os dados são de 2019, antes da pandemia, que começou em março de 2020. A tela mostra uma reportagem da CartaCapital, de 16/02/2020: "Levantamento mostra piora na educação, saúde e social no 1º ano de Bolsonaro". Segundo o texto, a Folha de S.Paulo analisou 104 indicadores do primeiro ano de mandato.

E tem mais. Os dados seguintes vêm todos com a marca "Governo Bolsonaro · 2019" e a fonte Folha, de 16/02/2020.

Idoso meses na fila do INSS. Segundo a Folha, havia uma "fila de 1,3 milhão de pessoas com análise atrasada de pedidos de benefícios no INSS". São aposentadorias que, como diz o vídeo, já eram das pessoas por direito.

Comida sumindo da mesa. "O governo congelou o Bolsa Família mesmo nas regiões mais carentes", diz o trecho da Folha. A tela mostra três pratos, um deles vazio, com a inscrição "1 a cada 3 cidades mais pobres". Isso num governo que, segundo o vídeo, insistia em dizer que defendia o programa.

Governo Bolsonaro em 2019: fila de 1,3 milhão de pessoas com análise atrasada no INSS e Bolsa Família congelado, 1 a cada 3 cidades mais pobres. Fonte: Folha de S.Paulo, 16/02/2020
Governo Bolsonaro em 2019: fila de 1,3 milhão de pessoas com análise atrasada no INSS e Bolsa Família congelado, 1 a cada 3 cidades mais pobres. Fonte: Folha de S.Paulo, 16/02/2020

Floresta, sarampo, dívida e corrupção

O último quadro de dados reúne mais quatro números de 2019:

  • A floresta virando fumaça: desmatamento na Amazônia 29,5% maior.
  • Doença que já estava vencida: 18.203 casos de sarampo. Brasileiro morrendo de doença que o país já tinha vencido, antes mesmo da pandemia.
  • Famílias com a maior dívida: 44,87% da renda, o maior nível desde 2015.
  • O Brasil caindo no ranking de corrupção: 106º lugar.
Governo Bolsonaro em 2019: desmatamento na Amazônia +29,5%, 18.203 casos de sarampo, dívida das famílias em 44,87% da renda (maior desde 2015) e Brasil em 106º no ranking de corrupção. Fonte: Folha, 16/02/2020
Governo Bolsonaro em 2019: desmatamento na Amazônia +29,5%, 18.203 casos de sarampo, dívida das famílias em 44,87% da renda (maior desde 2015) e Brasil em 106º no ranking de corrupção. Fonte: Folha, 16/02/2020

"Eles queriam que você achasse que o problema foi o vírus", diz o vídeo. "O problema veio antes. Esse governo já era assim antes da pandemia começar."

Agora eles voltaram

Segundo o vídeo, os mesmos voltaram pedindo voto. Só trocaram o primeiro nome: sai Jair, entra Flávio. São mais de 20 anos como deputado e senador. O vídeo pergunta se você sabe dizer uma coisa relevante que ele fez pelo país. E se ele chegou até aqui por mérito próprio ou por ser filho do pai.

"Político é tudo igual"? Não é, responde o vídeo. Você pode discordar de Lula e criticar muita coisa que ele faz. Mas no segundo turno só há dois nomes na urna, e um deles é a volta de tudo isso.

Para o vídeo, votar em Lula significa barrar a volta dessa incompetência, da corrupção do Banco Master e do descaso com a saúde pública. Na tela, uma reportagem da Agência Pública, de 2026: "Áudio de Flávio Bolsonaro pedindo R$ 134 mi a Vorcaro vaza e abala direita brasileira".

Transcrição do vídeo

Votar contra o Lula não significa gostar de Flávio nem de Bolsonaro. Votar contra o Lula significa dizer chega. Chega de um país que sangra 50 bilhões de dólares pra fora. Chega de um Brasil que vende menos e encolhe diante do mundo.

Espera aí. Esses números são de outro governo. O de Bolsonaro. Ah, mas teve a pandemia!

Não. Esses dados são de antes, de 2019. E tem mais. Idoso meses na fila do INSS, esperando uma aposentadoria que é dele por direito.

Comida sumindo da mesa de quem mais precisa num governo que insistia em dizer que defendia o Bolsa Família. A floresta virando fumaça. Brasileiro morrendo de doença que a gente já tinha vencido antes mesmo da pandemia chegar. Famílias com a maior dívida em anos.

E o Brasil caindo no ranking mundial da corrupção. Eles queriam que você achasse que o problema foi o vírus. O problema veio antes. Esse governo já era assim antes da pandemia começar.

Agora eles voltaram, pedindo seu voto de novo. Só trocaram o primeiro nome. Flávio. Mais de 20 anos como deputado e senador.

Você sabe dizer uma coisa relevante que ele fez pelo país? Chegou até aqui por mérito próprio ou por ser filho do pai? Aí você pensa... Político é tudo igual.

Mas não é. Você pode discordar do Lula. Pode criticar muita coisa que ele faz. Mas no segundo turno só tem dois nomes na urna.

Um deles é a volta de tudo isso. Votar no Lula significa... Barrar a volta dessa incompetência, da corrupção do Banco Master e do descaso com a saúde pública. E do descaso com a saúde pública.

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