Desmatamento na Amazônia: Lula salvou 20 mil km², diz Carbon Brief

Desmatamento bateu 13.038 km² em 2021, com Bolsonaro, e caiu a 5.731 km² em 2025, com Lula. A diferença vale quase um Sergipe de floresta de pé.

O governo Lula salvou pelo menos 20 mil km² da Amazônia desde 2022. A conta é do site britânico Carbon Brief, a partir de um modelo de pesquisadores de Oxford e do INPE: é o que teria caído a mais se a fiscalização tivesse continuado fraca como no governo Bolsonaro. Dá quase um Sergipe de floresta de pé. E isso importa porque a Amazônia estava chegando perto de um ponto a partir do qual ela não volta mais.

Do pico de 2021 a menos da metade

Os dados do INPE/PRODES medem o desmatamento na Amazônia em km² por ano, de agosto a julho. Em 2018, foram 7.536 km². No governo Bolsonaro, o número subiu para 10.129 em 2019 e 10.851 em 2020, até chegar a 13.038 km² em 2021, mais de 13 mil km² num ano só. Em 2022, foram 11.594.

Com Lula, o desmatamento caiu: 9.064 km² em 2023, 6.518 em 2024 e 5.731 em 2025. É menos da metade do pico.

Desmatamento na Amazônia, em km² por ano (agosto a julho): 7.536 em 2018; 10.129 em 2019, 10.851 em 2020, 13.038 em 2021 e 11.594 em 2022, no governo Bolsonaro; 9.064 em 2023, 6.518 em 2024 e 5.731 em 2025, no governo Lula, menos da metade do pico. Fonte: INPE/PRODES (2025: via Carbon Brief, 28/09/2026)
Desmatamento na Amazônia, em km² por ano (agosto a julho): 7.536 em 2018; 10.129 em 2019, 10.851 em 2020, 13.038 em 2021 e 11.594 em 2022, no governo Bolsonaro; 9.064 em 2023, 6.518 em 2024 e 5.731 em 2025, no governo Lula, menos da metade do pico. Fonte: INPE/PRODES (2025: via Carbon Brief, 28/09/2026)

Quase um Sergipe de floresta de pé

A análise do Carbon Brief (28/09/2026, atualizada em 26/10) tem um título direto: "Lula presidency saved at least 20,000km2 of Brazilian Amazon since 2022". Ou seja, o governo Lula salvou pelo menos 20 mil km² da Amazônia desde 2022.

Manchete do Carbon Brief: "Lula presidency saved at least 20,000km2 of Brazilian Amazon since 2022", conta feita para o caso de a fiscalização continuar fraca como no governo Bolsonaro, com modelo de pesquisadores de Oxford e do INPE. Fonte: Carbon Brief, 28/09/2026 (atualizado em 26/10)
Manchete do Carbon Brief: "Lula presidency saved at least 20,000km2 of Brazilian Amazon since 2022", conta feita para o caso de a fiscalização continuar fraca como no governo Bolsonaro, com modelo de pesquisadores de Oxford e do INPE. Fonte: Carbon Brief, 28/09/2026 (atualizado em 26/10)

Para ter uma ideia do tamanho: Sergipe tem 21,9 mil km², segundo o IBGE. Os 20 mil km² que continuam de pé são quase um estado inteiro de floresta.

Comparação de 20 mil km² de floresta que continua de pé com a área de Sergipe, de 21,9 mil km². Fontes: Carbon Brief, 28/09/2026; área de Sergipe: IBGE
Comparação de 20 mil km² de floresta que continua de pé com a área de Sergipe, de 21,9 mil km². Fontes: Carbon Brief, 28/09/2026; área de Sergipe: IBGE

Por que cada quilômetro conta

A Amazônia fabrica a própria chuva. Uma árvore grande puxa do chão mais de mil litros de água por dia e solta tudo no ar. Somadas, as árvores mandam para o céu mais água do que o rio Amazonas despeja no mar. Essa água vira chuva na soja do Centro-Oeste e nas represas do Sudeste.

Quando o desmatamento avança além da conta, a floresta já não produz chuva suficiente, a seca mata mais árvores e o ciclo gira ao contrário. A partir daí, ninguém precisa derrubar mais nada: a floresta morre sozinha e vira savana. É o ponto de não retorno. O carbono guardado nas árvores, uns 15 a 20 anos de tudo o que a humanidade emite (Flores et al., Nature, fev/2024), iria para o ar.

Os cientistas estimam que esse ponto chega quando entre 20% e 25% da floresta tiver sumido (Lovejoy & Nobre, Science Advances, 2018 e 2019). Em 2019, a Amazônia brasileira já estava perto de 20%. Foi com a floresta encostando nessa beira que veio o governo Bolsonaro.

O que estava em jogo no dia 25

No 2º turno, em 25 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro prometia desmatamento ilegal zero. Os cientistas não acreditaram, porque ele já tentou mudar o Código Florestal. Claudio Angelo, do Observatório do Clima, foi mais longe em fala à Carbon Brief (encurtada pelo site):

"A reeleição do Lula é a única coisa entre nós e a destruição da Amazônia."

O Brasil reelegeu Lula. Isso não tira a floresta da beira, mas muda a direção. A eleição do dia 25 não resolveu todos os problemas do Brasil. Mas deu ao planeta inteiro uma coisa que estava acabando: tempo.

Transcrição do vídeo

Essa eleição pode ter decidido o futuro da Amazônia e do mundo. A floresta tem um ponto a partir do qual ela não volta mais, e o Brasil estava chegando perto dele. Para entender o que é esse ponto de não retorno e por que ele preocupa os cientistas, a gente precisa começar olhando para uma árvore. Uma árvore grande da Amazônia puxa do chão, num único dia, mais de mil litros de água, e solta tudo no ar pelas folhas.

Some isso a todas as árvores da floresta, e sai mais água para o céu do que o próprio rio Amazonas despeja no mar. Essa água vira nuvem, chove de novo mais adiante, e uma parte bate nos Andes e desce. É chuva na soja do Centro-Oeste e nas represas do Sudeste. Só que esse ciclo tem um limite.

Quando o desmatamento avança além da conta, a floresta já não consegue produzir chuva suficiente, a seca mata mais árvores e o ciclo passa a girar ao contrário. Daí em diante, ninguém precisa derrubar mais nada. A floresta morre sozinha e vira savana. É o ponto de não retorno.

Aí o carbono guardado nessas árvores, uns 15, 20 anos de tudo que a humanidade emite, vai para o ar, e a chuva que segue para o resto do Brasil míngua. Os cientistas estimam que essa beira chega quando entre 20% e 25% da floresta tiver sumido. Em 2019, a parte brasileira já estava perto de 20%. Foi com a floresta encostando nessa beira que veio o governo Bolsonaro.

E em 2021, a Amazônia perdeu mais de 13 mil quilômetros quadrados num ano só. Com o Lula, o desmatamento caiu para menos da metade. O site britânico Carbon Brief calculou quanto isso salvou. Se a fiscalização tivesse continuado fraca, como no governo Bolsonaro, pelo menos 20 mil quilômetros quadrados a mais teriam caído.

É quase um Sergipe de floresta que continua de pé. E era isso que estava em jogo no dia 25. O Flávio prometia zerar o desmatamento ilegal. Mas os cientistas não acreditaram, porque ele já tentou mudar o Código Florestal.

Um especialista do Observatório do Clima foi mais longe. Disse que a reeleição do Lula era a única coisa entre nós e a destruição da Amazônia. O Brasil reelegeu o Lula. Isso não tira a floresta da beira, mas muda a direção.

A eleição do dia 25 não resolveu todos os problemas do Brasil, mas deu ao planeta inteiro uma coisa que estava acabando. Tempo. Segue o Contraponto para mais vídeos como esse.

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