Mais armas, menos crime? Os números de Bolsonaro a Lula

Armas novas registradas foram de 95 mil para 553 mil com Bolsonaro. Com Lula, a regra apertou e as mortes violentas caíram ao menor nível desde 2012.

Não. Quando o governo Lula voltou a apertar as regras para armas, as mortes violentas no Brasil não subiram: caíram. Foram 46,3 mil em 2023, 44,1 mil em 2024 e 40,8 mil em 2025, o menor número desde 2012. Mesmo assim, o deputado que cuida do tema na equipe de Flávio Bolsonaro diz que sua principal missão é revogar o Estatuto do Desarmamento.

A imagem que abre o vídeo

O vídeo começa com uma imagem que chocou o país: uma criança em cima de um carro, cercada por uma multidão, em Parnamirim (RN), na noite do 1º turno, em 4 de outubro de 2026. Segundo a CNN Brasil (7/10/2026), a polícia apura se o objeto que ela segurava era um simulacro. Para o Contraponto, a cena é o resquício de um legado deixado pelo último governo.

Quase seis vezes mais armas com Bolsonaro

Em 2018, foram registradas 95 mil armas novas no Brasil. Aí o governo Bolsonaro afrouxou as regras. O número subiu para 140 mil em 2019, 268 mil em 2020 e 393 mil em 2021, até chegar a 553 mil em 2022. Quase seis vezes mais que em 2018.

A promessa era simples: com o cidadão armado, o bandido ia pensar duas vezes.

Em 2023, já no governo Lula, a regra voltou a apertar. A compra de armas por caçadores e atiradores caiu 91% entre 2022 e 2024.

Armas novas registradas por ano: 95 mil em 2018, 140 mil em 2019, 268 mil em 2020, 393 mil em 2021 e 553 mil em 2022, no governo Bolsonaro; queda em 2023 e 2024, no governo Lula, com recuo de 91% nas compras de caçadores e atiradores. Fontes: Sou da Paz/Igarapé (2018-22) e Folha/Sou da Paz e PF (2023-24, aproximado)
Armas novas registradas por ano: 95 mil em 2018, 140 mil em 2019, 268 mil em 2020, 393 mil em 2021 e 553 mil em 2022, no governo Bolsonaro; queda em 2023 e 2024, no governo Lula, com recuo de 91% nas compras de caçadores e atiradores. Fontes: Sou da Paz/Igarapé (2018-22) e Folha/Sou da Paz e PF (2023-24, aproximado)

As mortes violentas não subiram

Se era a arma que segurava o crime, as mortes violentas deviam ter subido depois do aperto. Não subiram. Segundo os Anuários 2024 a 2026 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram 46,3 mil mortes violentas em 2023, 44,1 mil em 2024 e 40,8 mil em 2025. É o menor número desde 2012.

Mortes violentas no Brasil: 46,3 mil em 2023, 44,1 mil em 2024 e 40,8 mil em 2025, menor número desde 2012, enquanto as compras de armas por caçadores e atiradores caíram 91% de 2022 a 2024. Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuários 2024 a 2026
Mortes violentas no Brasil: 46,3 mil em 2023, 44,1 mil em 2024 e 40,8 mil em 2025, menor número desde 2012, enquanto as compras de armas por caçadores e atiradores caíram 91% de 2022 a 2024. Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuários 2024 a 2026

O plano da equipe de Flávio Bolsonaro

Agora, o deputado Marcos Pollon (PL-MS), da equipe de Flávio Bolsonaro que trata de armas, afirmou, segundo a Gazeta do Povo (7/8/2026):

"Minha principal missão é trabalhar pela revogação do Estatuto do Desarmamento."

Você só quer chegar em casa em paz. Precisa de mais armas na rua para isso?

Transcrição do vídeo

Você deve ter visto essa imagem, que chocou o país. E ela é o resquício de um legado deixado pelo último governo. Olha esse gráfico. Em 2018, foram 95 mil armas novas registradas no Brasil.

Aí, o governo Bolsonaro afrouxou as regras. Em 2022, foram 553 mil, quase seis vezes mais. A promessa era simples. Com o cidadão armado, o bandido ia pensar duas vezes.

Em 2023, já no governo Lula, a regra apertou de novo. E a compra de armas por caçadores e atiradores caiu 91%. Se era a arma que segurava o crime, as mortes violentas deviam ter subido. Não subiram.

Foram 46 mil em 2023, 44 mil em 2024 e quase 41 mil em 2025. O menor número em mais de 10 anos. Agora, o deputado que Flávio Bolsonaro pôs na sua equipe para tratar de armas diz que a sua principal missão é revogar o Estatuto do Desarmamento. Você só quer chegar em casa em paz.

Precisa de mais armas na rua pra isso?

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