Eleitor de Flávio Bolsonaro, você está com vergonha do seu candidato?

Constituição, míssil inflável, arma na mão de criança, registro de munição: para cada fala, uma desculpa. Pedro Ottoni pergunta se não é vergonha.

Por que o eleitor de Flávio Bolsonaro vive dizendo que o candidato "não quis dizer bem isso"? A pergunta é de Pedro Ottoni, num vídeo animado pelo Contraponto: se é isso mesmo que vocês defendem, sustentem. Se não sustentam, talvez seja vergonha.

Uma desculpa para cada fala

O vídeo enumera as desculpas, uma por uma, como se fosse uma coleção.

  • A Constituição. A gente fala que o candidato quer mudar a Constituição. A resposta: "Não, não foi bem isso que ele falou".
  • O míssil inflável. Na manifestação, os patriotas levam um míssil inflável escrito "Trump Nuke Brazil", algo como "bombardeie o Brasil". A resposta: "Não, era infiltrado".
  • Arma na mão de criança. Aparece uma criança com uma arma na mão. A resposta: "Mas essa arma não é de verdade".
  • O registro de munição. O candidato fala em tirar o registro de cartucho de arma de fogo. Como é que se vai identificar de onde saiu o tiro se alguém for atingido? A resposta: "Não é bem isso que ele está querendo dizer".

Na conta do vídeo, a régua da "gravidade" está sempre lá embaixo. Nada é grave. Nada é bem isso.

Negação

Para Pedro Ottoni, o problema é outro: o eleitor está em negação. Não quer aceitar que é isso mesmo que está defendendo, porque, se aceitar, vai olhar no espelho e perceber que não faz sentido.

Ele aposta que ainda existe lucidez do outro lado. "Vocês sabem que não é correto isso que tá sendo propagado. Vocês sabem que é loucura."

E a fé?

A última desculpa é a religião: "Eu faço isso porque eu sou de Deus". O vídeo responde com outra pergunta. Jesus, que foi torturado e crucificado, acharia legal um lado que só fala de matar, de arma, de destruição, de bombardear?

E que bomba seria essa, com um GPS que só acerta petista e gente de esquerda? Bomba estoura para todo lado.

Ainda dá tempo

O vídeo termina com um convite, não com um ataque. Quem está do outro lado da linha ainda pode atravessar.

A gente vai te abraçar se você pular pra cá. Dá tempo.

Transcrição do vídeo

Mano, dúvida sincera. Vocês estão com vergonha? Porque, tipo assim, vocês não sustentam as paradas que o candidato de vocês fala. Toda hora vocês querem relativizar a parada.

É o quê? Tá com vergonha? Sustenta, pô. A gente fala, ó, o cara tá falando que quer mudar a Constituição.

Vocês, não, não foi bem isso que ele falou, não. Pô, os patriotas vão na manifestação de vocês e botam, bombardeie o Brasil, um míssil de inflável falando, bombardeie o Brasil. Vocês, não, não, era infiltrado. Pô, vocês botam arma na mão de criança.

Não, mas essa arma não é de verdade, não. Porra, o cara tá falando que quer tirar registro de cartucho, de arma de fogo. Como é que vai identificar se tu tomar um tiro? Não, mas não é bem isso, não, o que ele tá querendo dizer, não.

Porra, nada é bem isso. Sabe o que eu acho? Eu acho que vocês estão em negação. Vocês não querem aceitar que é isso mesmo que vocês estão defendendo.

Porque se vocês aceitarem, vocês vão olhar e vão falar assim, não faz sentido. Eu sei que tem lucidez ainda aí. Vocês sabem que não é correto isso que tá sendo propagado. Vocês sabem que é loucura.

Tipo assim, eu vejo um monte de gente falando Ah, não, eu faço isso porque eu sou de Deus, não sei o quê. Porra, Deus? Você acha que Jesus, que foi torturado, crucificado, ele ia achar legal um lado que só fala de matar, de arma, de, porra, de destruição, de bombardear? E outra, que bomba é essa?

Que GPS é esse que essa bomba vai ter que só vai matar petista aí de esquerda? Bomba estoura pra todo lado, amor. Dá tempo de pular. A gente vai te abraçar se você pular pra cá, dá tempo.

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