A loja de chocolates de Flávio Bolsonaro tinha lucro recorde, mas um detalhe chamou a atenção do Ministério Público do Rio: ela lucrava a mesma coisa o ano inteiro, sem nenhum aumento na Páscoa. A maioria dos depósitos era em dinheiro vivo. Segundo o MP-RJ, R$ 1,6 milhão foi lavado na loja. E o dinheiro aparecia nas mesmas datas dos saques de Fabrício Queiroz. Quem conta a história, em tom de fábula, é Gregório Duvivier.
O Willy Wonka brasileiro
Flávio tinha uma loja Kopenhagen no Via Parque Shopping, na Barra da Tijuca, no Rio. Segundo o vídeo, era a loja que mais lucrava no Brasil. Parecia coisa de grande gestor.
O MP-RJ achou estranho. Como um senador consegue, ao mesmo tempo, tocar uma loja com tanto lucro? Foi ver o que acontecia lá dentro.
Uma loja sem Páscoa
O que o MP encontrou: a loja lucrava a mesma coisa em todos os meses, de janeiro a dezembro. Nenhum aumento na Páscoa. A fonte na tela é o MP-RJ, via Poder360, em 2020.
O que a loja de Flávio lucrava mês a mês, de janeiro a dezembro: barras iguais o ano inteiro, sem aumento na Páscoa. Fonte: MP-RJ, via Poder360, 2020
Isso não faz sentido, diz o vídeo. Qualquer loja de chocolate vende cinco, dez vezes mais na Páscoa. Na loja do Flávio, a linha segue reta.
Comparação: qualquer loja de chocolate vende 5 a 10 vezes mais na Páscoa; a linha da loja do Flávio fica reta o ano todo
No Via Parque não tinha Páscoa? Pelo contrário, ironiza Duvivier: era Páscoa o ano inteiro. Ovo de Páscoa em setembro, outubro e novembro. Milhões de reais.
Dinheiro vivo e lavagem
Quando o MP foi olhar, viu que a maioria dos depósitos era em dinheiro vivo. A manchete do Poder360, de agosto de 2020, que aparece na tela: "Loja de Flávio Bolsonaro recebeu 1.512 depósitos em dinheiro".
O vídeo levanta duas hipóteses. A primeira, em tom de piada: o próprio Flávio comia todo aquele chocolate, e por isso passou mal no debate da Band, em 2016, como noticiou a Gazeta do Povo.
A segunda é a do Ministério Público: a loja servia para lavar o dinheiro das rachadinhas. Na tela, o valor: R$ 1,6 milhão lavado na loja, segundo o MP-RJ, com fonte no Jornal do Brasil, em dezembro de 2019.
R$ 1,6 milhão lavado na loja, segundo o MP-RJ. Fonte: MP-RJ, via Jornal do Brasil, dezembro de 2019
As mesmas datas dos saques de Queiroz
Não à toa, diz o vídeo, o dinheiro que a loja recebia coincidia com os saques de Fabrício Queiroz. Queiroz sacava dinheiro vivo, e aparecia dinheiro vivo na Kopenhagen de Flávio Bolsonaro. Milhões.
Na tela, os calendários lado a lado: saque no dia 5, depósito no dia 5; saque no dia 26, depósito no dia 26; saque no dia 10, depósito no dia 10. As mesmas datas, segundo a Agência Estado, em 20 de agosto de 2020.
Olha que coincidência: Queiroz sacava e o depósito aparecia nas mesmas datas, dias 5, 26 e 10. Fonte: Agência Estado, 20/08/2020
E a pergunta final é direta: é esse o cara que vocês querem na presidência do país? Vocês esqueceram dessa história? Ou acham que ele era mesmo um grande gestor de franquia da Kopenhagen?
"Alguém me explica, pelo amor de Deus."
Transcrição do vídeo
Percebi que muita gente não sabe dessa história da fantástica fábrica de chocolates do Flávio Bolsonaro. Sim, ele é nosso Willy Wonka brasileiro e ele tinha uma loja Kopenhagen, não é? Não sei se vocês sabem dessa história, mas é maravilhosa. A loja da Kopenhagen do Flávio tinha um lucro recorde, a loja que mais lucrava no Brasil.
É uma coisa maravilhosa, como se ele fosse um grande gestor. O MP achou estranho, não é? Como é que pode? O cara é senador e ao mesmo tempo está tocando uma loja, assim, com tanto lucro, uma loja no Via Parque, no shopping da Barra da Tijuca.
O que está acontecendo nessa loja? E foram ver que tinha uma coisa muito estranha na loja de chocolate do Flávio, que é o seguinte. A loja lucrava a mesma coisa o ano inteiro. Ela lucrava uma quantidade espetacular e, estranhamente, não tinha nenhum aumento nas vendas durante a Páscoa.
Qualquer loja de chocolate, ela vende cinco, dez vezes mais durante a Páscoa. Não faz sentido. O que aconteceu? Que no Via Parque Shopping na Barra da Tijuca não tinha Páscoa.
Aliás, era Páscoa o ano inteiro. Como é que pode isso? O MP achou estranhíssimo e foi ver. E, de fato, a maioria dos depósitos era dinheiro vivo.
As pessoas estavam comprando chocolate com dinheiro vivo. O ano inteiro, em setembro, é Páscoa pra caramba, é ovo de Páscoa em outubro e novembro, milhões de reais. E, bom, conclusão, vocês já sabem. Será que o Flávio comia aquele chocolate todo?
Ele mesmo que comprava tanto chocolate e, por isso, inclusive, ele teve uma caganeira no debate? Isso é uma hipótese. Outra hipótese, claro, é que o negócio servia, a Kopenhagen servia pra lavar o dinheiro das rachadinhas. Não à toa, o dinheiro que a loja recebia coincidia com os saques do Fabrício Queiroz.
Olha que coincidência. O Fabrício sacava dinheiro vivo e aparecia dinheiro vivo na Kopenhagen do Flávio Bolsonaro. Milhões. Então, esse é o cara que vocês querem botar na presidência do país?
Falando sério mesmo, é esse cara. Eles querem entender melhor. Ou vocês esqueceram disso? Ou vocês acham que, de fato, ele era um grande gestor de franquia da Kopenhagen?
Eu queria entender isso. Alguém me explica, pelo amor de Deus.