É oficial: o Senado aprovou o fim da escala 6x1, por 75 votos a 1. São dois dias de folga por semana e jornada de 40 horas, sem cortar salário. Mas nada está garantido. A mudança leva 14 meses para valer por completo, parte das regras depende de leis do próximo governo, e o PL já tem uma proposta que, pelas contas do Contraponto, pode reduzir o salário de quem ganha o mínimo.
O que o Senado aprovou
A votação foi em 14/10/2026, em dois turnos. Foram 75 votos a favor e 1 contra, de Mourão (Republicanos-RS), segundo a Agência Senado.

É a primeira redução da jornada de trabalho desde a Constituição de 1988, 38 anos depois. Em 1988, a jornada caiu de 48 para 44 horas. Agora, cai de 44 para 40 horas por semana, com dois dias de folga, segundo o g1 e a Agência Senado.
Por que nada está garantido
A mudança não vale de uma vez. Pelo texto da PEC 221/2019, segundo o g1, 60 dias depois da promulgação vêm as duas folgas e a jornada de 42 horas. As 40 horas só chegam 14 meses depois.
E parte das regras ainda depende de leis que vão ser votadas no próximo governo. É o caso dos MEIs e pequenas empresas e das categorias com escala própria.

Flávio Bolsonaro e a PEC de Rogério Marinho
Flávio Bolsonaro (PL) questionava a proposta até a semana passada. Só anunciou o voto a 12 dias do segundo turno, e votou à distância, segundo InfoMoney, Metrópoles e CNN Brasil. Segundo a Folha de S.Paulo, via InfoMoney, ele sinalizou a empresários que pode rever as regras.
O PL quer aprovar em 2027, se Flávio ganhar, a PEC 12/2026, de Rogério Marinho, segundo Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara. A proposta cria um regime flexível baseado em horas trabalhadas. E foi assinada pelo próprio Flávio Bolsonaro.
Faça a conta: R$ 147 a menos por mês
Com o fim da 6x1, o salário mínimo de R$ 1.621 passa a valer por 40 horas semanais. Isso dá R$ 8,11 por hora.
Na proposta de Marinho, a hora é calculada sobre 44 horas. Aí o valor cai para R$ 7,37. Trabalhando as mesmas 40 horas por semana, o salário vai para R$ 1.474 por mês. São R$ 147 a menos todo mês e quase R$ 2 mil a menos por ano, contando 13º e férias, que também ficam proporcionais.

Por isso, na análise do Contraponto, se Lula não ganhar, a chance de o 5x2 ir por água abaixo é muito grande.
No dia 25/10, segundo turno entre Lula e Flávio, lembre quem lutou por esse direito e quem só embarcou na última hora.
Manda para quem vai ganhar uma folga a mais.