Dá pra discordar, mas não dá pra virar o tabuleiro, como em 2022

Dá pra discordar sem querer o mal de ninguém. O limite é quem tentou virar o tabuleiro em 2022, e o filho que promete indulto ao pai.

Esta eleição não é uma luta simples do bem contra o mal. Dá pra discordar em muita coisa e ainda jogar o mesmo jogo. O que não dá é aceitar quem tentou virar o tabuleiro. É esse o argumento do vídeo do Contraponto, feito para quem não se vê em nenhum dos dois lados da briga.

A vida real não é simples assim

A eleição, diz o vídeo, está sendo vendida como bem contra mal. De um lado, a democracia, os pobres, as minorias e a educação. Do outro, quem odeia tudo isso.

Só que a vida real não é simples assim. O vídeo lista o que dá pra fazer ao mesmo tempo:

  • ser a favor das instituições e criticar um ministro do Supremo;
  • querer oportunidade para os pobres e acreditar que quem gera emprego não é vilão;
  • comemorar que mais gente chegou à faculdade e perguntar por que tanta gente sai de lá sem dominar o básico;
  • discordar de você sem querer o mal de ninguém.

Os problemas do Brasil são concretos

Você pode acreditar que os problemas do Brasil não são ideológicos, e sim concretos. O vídeo concorda: emprego, renda, segurança, saúde que funcione e um ambiente em que abrir uma empresa não transforme ninguém automaticamente em explorador.

O ponto é outro. A solução para esses problemas precisa vir dentro das regras do jogo.

Quem tentou virar o tabuleiro

Em 2022, quem perdeu tentou virar o tabuleiro. Foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, pela Primeira Turma do STF, em 11/09/2025, por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes, como mostra a tela.

Cartão do vídeo: 27 anos e 3 meses de prisão. Fonte: STF, Primeira Turma, 11/09/2025, tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes
Cartão do vídeo: 27 anos e 3 meses de prisão. Fonte: STF, Primeira Turma, 11/09/2025, tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes

Agora o filho dele, Flávio, promete que, se ganhar, solta o pai. Na tela, a promessa aparece como "indulto ao pai", com fonte na Folhapress (06/10/2026) e no CFR (outubro de 2026). Flávio disse até que os dois sobem a rampa juntos. A frase dele, num evento do PL, segundo a Folhapress de 06/10/2026: "Ele vai subir aquela rampa junto com a gente em 2027".

Sem consequência, a regra deixa de valer

Se virar a mesa não tiver consequência, a regra deixa de valer. E se virar o tabuleiro faz parte das regras do jogo, não dá pra jogar.

Nessa mesa tem lugar pra todo mundo. A gente pode concordar e discordar. Só não dá pra dar palco pra quem quer melar as regras do jogo.

Transcrição do vídeo

Esta eleição está sendo vendida como uma luta do bem contra o mal. De um lado estariam a democracia, os pobres, as minorias e a educação. Do outro, quem odeia tudo isso. Simples assim.

Só que a vida real não é simples assim. Dá pra ser a favor das instituições e criticar um ministro do Supremo. Dá pra querer oportunidade para os pobres e acreditar que quem gera emprego não é vilão. Dá pra comemorar que mais gente chegou à faculdade e ao mesmo tempo perguntar por que tanta gente sai de lá sem dominar o básico.

Dá pra discordar de você sem querer o mal de ninguém. Você pode acreditar que os problemas do Brasil não são ideológicos. São concretos. E é verdade.

Emprego, renda, segurança, saúde que funcione e um ambiente em que abrir uma empresa não te transforme automaticamente em explorador. O problema aqui é que a solução para os problemas precisa vir dentro das regras do jogo. Só que, em 2022, quem perdeu tentou virar o tabuleiro. Foi condenado a 27 anos de prisão.

Agora o filho dele, o Flávio, promete que, se ganhar, solta o pai. Disse até que os dois sobem a rampa juntos em 2027. Porque, se virar a mesa não tiver consequência, a regra deixa de valer. Se virar o tabuleiro faz parte das regras do jogo, não dá pra jogar.

Nessa mesa tem lugar pra todo mundo jogar. A gente pode concordar, discordar, só não dá pra dar palco pra quem quer melar as regras do jogo.

Ver este vídeo no Instagram do Contraponto
← Todos os textos