Eleição não é bem contra mal, mas tem que respeitar as regras do jogo

Dá para discordar de tudo e ainda jogar junto. O que não dá é premiar quem tentou virar o tabuleiro em 2022, como promete Flávio Bolsonaro com o indulto.

Esta eleição não é uma luta do bem contra o mal. Dá para ter opiniões diferentes, criticar, discordar. O que não dá é dar palco para quem quer melar as regras do jogo. E é isso que está em disputa: quem perdeu em 2022 tentou virar o tabuleiro, e o filho dele, Flávio Bolsonaro, promete soltá-lo se ganhar.

A vida real não é simples assim

A eleição está sendo vendida como uma luta do bem contra o mal. De um lado estariam a democracia, os pobres, as minorias e a educação. Do outro, quem odeia tudo isso. Simples assim.

Só que a vida real não é simples assim. O vídeo lista o que dá para pensar ao mesmo tempo:

  • ser a favor das instituições e criticar um ministro do Supremo;
  • querer oportunidade para os pobres e acreditar que quem gera emprego não é vilão;
  • comemorar que mais gente chegou à faculdade e perguntar por que tanta gente sai de lá sem dominar o básico;
  • discordar de você sem querer o mal de ninguém.

Os problemas do Brasil são concretos

Você pode acreditar que os problemas do Brasil não são ideológicos, e sim concretos. E é verdade: emprego, renda, segurança, saúde que funcione e um ambiente em que abrir uma empresa não transforme ninguém automaticamente em explorador.

O ponto do vídeo é outro. A solução para esses problemas precisa vir dentro das regras do jogo.

Quem tentou virar o tabuleiro

Em 2022, quem perdeu tentou virar o tabuleiro. Foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, pela Primeira Turma do STF, em 11 de setembro de 2025, por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes, como mostra a tela.

Agora o filho dele, Flávio Bolsonaro, promete que, se ganhar, dá indulto ao pai (Folhapress, 6 de outubro de 2026). Em evento do PL, disse até que os dois sobem a rampa juntos: "Ele vai subir aquela rampa junto com a gente em 2027".

O problema é simples. Se virar a mesa não tiver consequência, a regra deixa de valer. E, se virar o tabuleiro faz parte das regras do jogo, não dá para jogar.

Nessa mesa tem lugar para todo mundo. Dá para concordar e discordar. Só não dá para dar palco para quem quer melar as regras do jogo.

Transcrição do vídeo

Esta eleição está sendo vendida como uma luta do bem contra o mal. De um lado estariam a democracia, os pobres, as minorias e a educação. Do outro, quem odeia tudo isso. Simples assim.

Só que a vida real não é simples assim. Dá pra ser a favor das instituições e criticar um ministro do Supremo. Dá pra querer oportunidade para os pobres e acreditar que quem gera emprego não é vilão. Dá pra comemorar que mais gente chegou à faculdade e ao mesmo tempo perguntar por que tanta gente sai de lá sem dominar o básico.

Dá pra discordar de você sem querer o mal de ninguém. Você pode acreditar que os problemas do Brasil não são ideológicos. São concretos. E é verdade.

Emprego, renda, segurança, saúde que funcione e um ambiente em que abrir uma empresa não te transforme automaticamente em explorador. O problema aqui é que a solução para os problemas precisa vir dentro das regras do jogo. Só que, em 2022, quem perdeu tentou virar o tabuleiro. Foi condenado a 27 anos de prisão.

Agora o filho dele, o Flávio, promete que, se ganhar, solta o pai. Disse até que os dois sobem a rampa juntos em 2027. Porque, se virar a mesa não tiver consequência, a regra deixa de valer. Se virar o tabuleiro faz parte das regras do jogo, não dá pra jogar.

Nessa mesa tem lugar pra todo mundo jogar. A gente pode concordar, discordar, só não dá pra dar palco pra quem quer melar as regras do jogo.

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