Flávio Bolsonaro e a milícia: da medalha a Adriano ao apoio a Bacellar

Medalha a Adriano da Nóbrega, fala sobre milícia na Alerj e apoio a Rodrigo Bacellar, hoje preso. Flávio deve ter a chave do Planalto?

O maior risco de entregar o Palácio do Planalto a Flávio Bolsonaro, segundo este vídeo, não é desvio de verba: é a ligação antiga e profunda do candidato com a milícia do Rio de Janeiro. O texto e a voz são de @marilizpj, com ilustração do Contraponto. Abaixo, o que o vídeo mostra, fonte por fonte.

Uma ligação antiga

Em 2005, Flávio deu uma medalha a Adriano da Nóbrega, que estava preso naquele momento. A informação aparece na tela com fonte na Folha e no Estadão (25/01/2019).

Em 7 de fevereiro de 2007, na tribuna da Alerj, Flávio disse: "A milícia nada mais é do que um conjunto de policiais...". E completou: "Há uma série de benefícios". Na fala, a ideia era que há policiais na milícia e que a população gosta porque se sente protegida. A fonte é a CartaCapital (26/02/2020), com base nas notas taquigráficas da Alerj.

O que a milícia controla

O vídeo pede para pensar no cidadão comum que mora numa área dominada. Ele não tem para onde correr. Pela CPI das Milícias da Alerj (2008) e pelo MPRJ, a "conta da milícia" inclui:

  • o gás de cozinha;
  • a internet que o filho do trabalhador usa para estudar;
  • a TV a cabo clandestina;
  • as vans que o trabalhador pega de madrugada;
  • a água;
  • a venda e a locação forçada de imóveis;
  • a "taxa de segurança", que na prática é a taxa para não ser morto.
A conta da milícia: gás, internet, TV a cabo, van, água, imóvel e a "taxa de segurança", que na prática é a taxa para não ser morto. Fonte: CPI das Milícias (Alerj, 2008); MPRJ
A conta da milícia: gás, internet, TV a cabo, van, água, imóvel e a "taxa de segurança", que na prática é a taxa para não ser morto. Fonte: CPI das Milícias (Alerj, 2008); MPRJ

Segundo o GENI/UFF e o Fogo Cruzado (dezembro de 2025), 4 milhões de pessoas vivem sob grupos armados no Grande Rio. As milícias dominam metade dessa área.

4,0 milhões de pessoas vivem sob grupos armados no Grande Rio; as milícias dominam metade da área. Cada figura equivale a 40 mil pessoas. Fonte: GENI/UFF e Fogo Cruzado, dezembro de 2025
4,0 milhões de pessoas vivem sob grupos armados no Grande Rio; as milícias dominam metade da área. Cada figura equivale a 40 mil pessoas. Fonte: GENI/UFF e Fogo Cruzado, dezembro de 2025

O caso Bacellar

Para o vídeo, o problema não para na milícia: transborda para o tráfico pesado de drogas.

Rodrigo Bacellar, do União Brasil, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, está preso. Ele é acusado de vazar uma operação da PF contra um deputado ligado ao Comando Vermelho, segundo a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, e é réu no STF desde agosto de 2026.

Antes de as operações da PF revelarem essa ligação, quem deu apoio formal a Bacellar foi Flávio Bolsonaro. "Com apoio de Flávio Bolsonaro, Bacellar ganha força como sucessor de Castro", noticiou O Globo, via Diário do Rio, em 23/05/2025. Flávio queria Bacellar no lugar de Cláudio Castro no governo do Rio.

A chave do cofre

O segundo turno é no dia 25 de outubro. Para a autora, entregar o país a alguém sem preparo gerencial e intelectual já seria um descalabro. Mas a Presidência dá também a chave do cofre: o comando da Polícia Federal, o Exército e o orçamento da União.

Dar essa chave a quem passou a vida inteira politicamente enroscado com a milícia e com o crime organizado não é dar um salto no escuro. É assinar de olhos abertos um projeto deliberado de desmanche da República.

Transcrição do vídeo

A gente tá prestes a entregar a chave do Palácio do Planalto a um sujeito que tem a sua trajetória inteira cravada no submundo mais violento e sombrio da política do Rio de Janeiro. O verdadeiro terror que acompanha o Flávio Bolsonaro de mãos dadas não é desvio de verba, gente. É a ligação crônica, antiga, profunda com a milícia. Pensa no cidadão comum que mora nessas áreas dominadas.

Ele não tem pra onde correr. Os milicianos controlam o gás de cozinha, a luz, controlam a internet que o filho do trabalhador usa pra estudar, controlam a TV a cabo clandestina, o transporte de vans que a pessoa precisa pegar de madrugada pra trabalhar, controlam a água que as pessoas bebem, fazem a venda e locação forçada de imóveis na base do grito. Eles extorquem o comerciante da esquina, cobram a taxa de segurança que, na prática, é a taxa pra não ser morto. A milícia silencia comunidades inteiras sob ameaça de um fuzil na cara.

A rotina e a vida de milhões de cidadãos passou a ser controlada por uma força paramilitar implacável. Aí você se pergunta, como é que o candidato à presidência da República enxerga essa tragédia? Ele já foi pra tribuna da Alerj, um microfone aberto ali, dizendo que há policiais que fazem parte da milícia e que a população gosta porque se sente protegida. E a podridão não para na milícia, gente.

Ela transborda diretamente pro tráfico pesado de drogas. O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, do União Brasil, tá preso. Acusado do quê? De vazar informações sigilosas de operações da polícia sobre tráfico de armas e drogas direto para o Comando Vermelho.

E sabe quem deu o apoio formal para o Bacellar na política antes das operações da PF revelarem essa ligação tenebrosa? O Flávio Bolsonaro. Ele queria o Bacellar substituindo o Cláudio Castro no governo do Rio de Janeiro. A reflexão que a gente precisa fazer de uma forma muito fria, gente, nos últimos dias de eleição é essa.

Entregar as rédeas do país inteiro a um sujeito desprovido de qualquer preparo gerencial e intelectual já seria um descalabro para o nosso futuro. Mas dar a chave do cofre central, o comando da Polícia Federal, o exército, o orçamento da União, a quem passou a vida inteira politicamente enroscado com a milícia e com o crime organizado, não é dar um salto no escuro. É assinar de olhos abertos um projeto deliberado de desmanche da República.

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