Tem eleição que dura quatro anos e tem eleição que dura quarenta. Quem acha que dá para resolver tudo em 2030 deveria olhar o que aconteceu com os Estados Unidos depois de 1981, quando Ronald Reagan assumiu a presidência e fez uma série de reformas. Ele governou por dois mandatos, mas a conta só chegou depois.
A renda virou de cabeça para baixo
Em 1980, o 1% mais rico dos Estados Unidos ficava com cerca de um décimo de tudo o que o país ganhava (10,4%). A metade mais pobre ficava com um quinto (20,1%).
Trinta e cinco anos depois, a situação se inverteu: o 1% mais rico passou a ficar com 18,9%, e a metade mais pobre caiu para 13,2%. Os super-ricos ficaram mais ricos e os mais pobres ficaram para trás.

Na Europa, no mesmo período, isso nunca aconteceu. Na França, as duas linhas nem chegaram perto de se cruzar: a metade mais pobre segue com cerca de 20% da renda.
Produzir mais, ganhar menos
O trabalhador americano passou a produzir cada vez mais, e o salário ficou para trás. Desde 1948, a produtividade nos Estados Unidos cresceu 308%; o que o trabalhador ganha cresceu 151%. A distância entre as duas linhas se abre justamente a partir dos anos 1980.
Mais gasto com saúde, menos anos de vida
Em 1980, o americano vivia tanto quanto um alemão ou um inglês. Hoje, os Estados Unidos gastam o dobro da França com saúde por pessoa (US$ 12.099 contra US$ 5.937, em dólares de 2021) e a expectativa de vida é, em média, quatro anos menor: 79,3 anos contra 83,3 na França.

Tudo isso a partir de um presidente. Quando uma mudança desse tamanho acontece, fica muito difícil colocar a pasta de dente de volta no tubo.
Quanto poder terá o próximo presidente
Ninguém sabe, na hora de votar, se uma eleição vai durar quatro ou quarenta anos. Mas dá para saber quanto poder o próximo presidente vai ter.
O partido de Flávio Bolsonaro, o PL, acabou de eleger 121 deputados: a maior bancada de um partido na Câmara desde 1988.

Somando os aliados, os partidos que apoiam Flávio no segundo turno têm, pela projeção do Times Brasil, 286 das 513 cadeiras da Câmara e 50 dos 81 senadores. É a maioria nas duas casas.

Se Lula ganhar, um Congresso de oposição mantém o equilíbrio entre os poderes. Se Flávio ganhar, não haverá contrapeso.
Para quem dar esse poder
O vídeo lembra quem é o candidato que pode receber poderes nunca antes dados a um presidente da República:
- acusado de rachadinha e lavagem de dinheiro, em denúncia do MP-RJ de 2020, arquivada em 2022 depois que o STJ anulou as provas;
- compra suspeita de imóveis com dinheiro vivo, segundo o MP-RJ (2019); Flávio diz que pagou com cheques;
- deu a Medalha Tiradentes, da Alerj, em 2005, a Adriano da Nóbrega, apontado pelo MP-RJ como chefe de milícia;
- pediu R$ 134 milhões ao dono do Banco Master, segundo áudio publicado pelo Intercept Brasil em 13 de maio de 2026.
É para essa pessoa que você quer dar esse poder? Dia 25, pense nisso antes de apertar o confirma.