Se você acha que o Supremo virou uma bagunça, em boa parte tem razão. E o caminho para entender passa por um homem: Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Quando a Polícia Federal abriu o celular dele, apareceram ministros do STF. O problema é que Flávio Bolsonaro também é investigado no mesmo caso. Se ele ganhar, vai ser o presidente que escolhe quem investiga.
Os ministros que aparecem no celular de Vorcaro
O vídeo do Contraponto mostra a teia, ministro por ministro.
Alexandre de Moraes. O escritório da mulher dele tinha um contrato de R$ 129 milhões com o banco. A fonte na tela é O Globo, de dezembro de 2025, via Poder360. O escritório diz que o contrato acabou em novembro de 2025.
Dias Toffoli. Era o relator do caso e deixou a relatoria em 12/02/2026, quando a PF achou o nome dele nas mensagens, segundo O Povo. Além disso, um fundo ligado ao Master investiu num resort em que os irmãos de Toffoli eram sócios, de acordo com o Diario de Pernambuco (21/09/2026). Toffoli nega ter recebido valores de Vorcaro.
Nunes Marques. Mensagens do celular de Vorcaro, reveladas pelo UOL em outubro de 2026, falam de uma festa. Um funcionário de Vorcaro escreve, em 28/02/2025: "Emprestei quarto do lado para ministro com 5 menina". As mensagens citam "o tal de Kassio". A ressalva aparece na tela: as mensagens não identificam o ministro, e Nunes Marques nega.
Ao todo, seis dos onze ministros aparecem nas investigações do caso Master, segundo o Diario de Pernambuco. Eles foram indicados por cinco presidentes diferentes: FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro.

Quem investiga um ministro do Supremo
E agora, o que dá para fazer? Depende de quem investiga. O caminho tem três passos:
- a PF junta as provas;
- o procurador-geral da República pede a investigação;
- o plenário do STF autoriza. Em 13/10/2026, Fachin disse à PF que investigar ministro exige aval do plenário, segundo a Agência Brasil.
Acima de tudo isso há uma cadeira: a do presidente. É ele quem escolhe o diretor-geral da PF (Lei 13.047/2014) e o procurador-geral (Constituição, art. 128). E o relatório da PF sobre os ministros só deve sair depois da eleição, segundo o Times Brasil. A linha do tempo na tela: segundo turno em 25 de outubro, depois o relatório, e a posse em 1º de janeiro.

Onde entra Flávio Bolsonaro
Flávio também é investigado no caso Master, desde 22/07/2026, segundo a Agência Brasil. Ele negociou R$ 134 milhões com Vorcaro para um filme sobre o pai, como informou a CNN Brasil em 13/05/2026.
Se ganhar, Flávio vai para a cadeira de cima. E há um precedente na família. Em 2020, o pai dele trocou o diretor da PF (Valeixo foi exonerado em abril de 2020, segundo o Poder360), e Moro saiu do governo acusando interferência. Bolsonaro nega a interferência. O inquérito foi reaberto em outubro de 2025, segundo a Band.
A mesma trama
O resultado é uma situação estranha. Um presidente investigado no caso escolhendo quem investiga. E ministros citados decidindo se os colegas vão ser investigados.
Com todo mundo envolvido, quem nessa trama teria interesse em que a investigação ande?
Eleger Flávio não limpa o Supremo. Amarra todo mundo na mesma trama. Você quer assinar embaixo disso?