Flávio Bolsonaro não entregou o passaporte e fugiu pela Argentina

O STF mandou Flávio entregar os passaportes. Ele não entregou, cruzou para a Argentina e voou a Miami num jato de empresa acusada de lavagem.

O Supremo mandou Flávio Bolsonaro entregar os passaportes. Ele não entregou. Na noite em que o prazo acabou, cruzou a fronteira para a Argentina e, horas depois, estava em Miami. De lá, publicou uma carta se dizendo presidente. Adeus, pátria e família, em menos de 72 horas.

O passaporte que ele não entregou

A ordem do Supremo Tribunal Federal saiu no domingo à noite, 25 de outubro: entregar todos os passaportes. A Polícia Federal via risco concreto de fuga, segundo o g1 e o UOL.

Na segunda, 26, o Flávio gravou um vídeo nas redes: "Nunca pensei em sair do país". O prazo da PF acabou na terça, 27, às 11h da manhã. Ele não entregou. E ele tem também um passaporte italiano, desde 2023.

A fronteira e o voo que desviou do Brasil

Às 22h50 de terça, ele cruzou a Ponte Tancredo Neves, de Foz do Iguaçu para Puerto Iguazú, com a família, numa van. A entrada está registrada pela Direção Nacional de Migrações da Argentina, segundo o UOL e o g1.

Às 23h30, embarcou num voo privado no aeroporto de Puerto Iguazú. Quem o recebeu foi Santiago Caputo, estrategista de Milei.

Mapa da fronteira: entrada na Argentina às 22h50 de 27/10 pela Ponte Tancredo Neves e embarque no voo privado LV-JQW em Puerto Iguazú às 23h30, recebido por Santiago Caputo, estrategista de Milei. Fonte: Direção Nacional de Migrações da Argentina, via UOL e g1
Mapa da fronteira: entrada na Argentina às 22h50 de 27/10 pela Ponte Tancredo Neves e embarque no voo privado LV-JQW em Puerto Iguazú às 23h30, recebido por Santiago Caputo, estrategista de Milei. Fonte: Direção Nacional de Migrações da Argentina, via UOL e g1

O voo desviou do Brasil. Passou pelo Paraguai, pela Bolívia e pelo Peru, e fez escala em Guayaquil. Ali trocou o destino do plano de voo para Miami. O avião pousou em Opa-locka, em Miami, às 10h23 de 28 de outubro, segundo o FlightAware (via g1) e o FlightRadar (via UOL).

Rota do voo: de Puerto Iguazú, por fora do Brasil, passando por Paraguai, Bolívia e Peru, com escala em Guayaquil e pouso em Opa-locka, Miami, às 10h23 de 28/10/2026. Fonte: FlightAware via g1 e FlightRadar via UOL
Rota do voo: de Puerto Iguazú, por fora do Brasil, passando por Paraguai, Bolívia e Peru, com escala em Guayaquil e pouso em Opa-locka, Miami, às 10h23 de 28/10/2026. Fonte: FlightAware via g1 e FlightRadar via UOL

O jato, um Gulfstream G400 de prefixo LV-JQW, é da Baires Fly S.A. A empresa é acusada de lavar dinheiro desviado de remédios para pessoas com deficiência, no caso Andis, da Justiça argentina, segundo o UOL e o La Nación.

A carta dos "Estados Unidos do Brazil"

Menos de sete horas depois de pousar, às 17h19 de 28 de outubro, o Flávio publicou no X uma "Carta à nação brasileira". Nela, se dirigia ao povo e à comunidade internacional como "o verdadeiro presidente do Brasil". O papel timbrado dizia "Estados Unidos do Brazil", com Z, segundo a CartaCapital e a GloboNews.

Depois, ele apagou. Na segunda versão, publicada pouco depois, virou "líder do Brasil", agora com S, segundo o g1. Mudou a letra. Mas não apagou a fuga.

A fuga é o primeiro refúgio de quem esconde a verdade.

Transcrição do vídeo

Domingo à noite, o Supremo mandou Flávio Bolsonaro entregar os passaportes. A Polícia Federal via risco concreto de fuga. Na segunda, ele gravou. Nunca pensei em sair do país.

O prazo acabou na terça, às 11 da manhã. Ele não entregou. E ainda tem um passaporte italiano, desde 2023. Às 22h50, cruzou a ponte de Foz do Iguaçu para a Argentina, com a família, numa van.

Logo depois, embarcou num jatinho, recebido pelo estrategista de Milei. O voo desviou do Brasil. Paraguai, Bolívia, Peru. Parou em Guayaquil, trocou o destino para Miami e pousou às 10h23.

O jato é de uma empresa acusada de lavar dinheiro desviado de remédios para pessoas com deficiência. E, menos de sete horas depois de pousar, publicou uma carta se dizendo presidente eleito, num papel timbrado Estados Unidos do Brazil. Com Z. Depois, apagou.

E virou líder do Brasil. Agora, com S. Mudou a letra, mas não apagou a fuga. A fuga é o primeiro refúgio de quem esconde a verdade.

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