Flávio Bolsonaro perdeu a eleição presidencial no domingo, 25 de outubro, e na quarta, 28, pousou num jatinho vindo da Argentina no Opa-locka Executive Airport, perto de Miami, às 10h23, com a mulher e as duas filhas. O Contraponto fez um vídeo em inglês para os americanos com um recado simples: o vizinho novo chega com uma lista de casos tão longa que rola na tela como a abertura de Star Wars.
Por que ele saiu do país
Na segunda, 26, Flávio postou no Instagram que nunca pensou em sair do país e que entregaria os passaportes ao Supremo, como o tribunal tinha mandado. Na noite seguinte, tinha sumido. À NBC News, disse que tudo é "uma clara tentativa de intimidação".
O vídeo vê de um jeito mais simples. Pelo artigo 86, parágrafo 4º, da Constituição, o presidente, durante o mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos às suas funções. Era a saída dele, e ele a perdeu no domingo.
Os três casos principais
O filme. Em 17 de novembro de 2025, a Polícia Federal parou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no aeroporto de Guarulhos, quando ele ia embarcar num jatinho para o exterior. Segundo a PF, o banco vendeu a um banco público R$ 12,2 bilhões em créditos que nunca existiram. Em maio de 2026, o The Intercept Brasil divulgou um áudio em que Flávio chama Vorcaro de "irmão" e pede dinheiro para Dark Horse, o filme sobre o pai: cerca de US$ 24 milhões, ou R$ 134 milhões. É quase três vezes o custo estimado de Ainda Estou Aqui, o filme mais caro já feito no Brasil.

Flávio primeiro disse que era mentira, segundo o Poder360. Horas depois, o áudio saiu. Pelo menos US$ 10,6 milhões foram pagos, em seis transferências entre fevereiro e maio de 2025, e ninguém mostrou para onde foram. O ministro André Mendonça autorizou um inquérito sobre os pagamentos, e Flávio é um dos alvos da PF.
As apostas. O amigo Willer Tomaz movimentou R$ 6,6 bilhões num único site de apostas em um ano e meio, pela própria ação judicial dele, segundo a CNN Brasil. A polícia investiga como possível lavagem de dinheiro. Segundo o Metrópoles, ele também apostou R$ 4,8 milhões num site acusado de lavar dinheiro do PCC. Um relatório da PF aponta Flávio como "usuário master" de uma conta no Santander da Alcazar Holdings, empresa de Tomaz. Os dois negam. Em 21 de agosto de 2026, depois das buscas na casa dele, Tomaz também voou para Miami.
Ana Clara. Em fevereiro de 2021, em Niterói, Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, brincava na porta de casa quando um tiro de fuzil a matou. O cabo Bruno Dias Delaroli foi preso em flagrante. A perícia só achou vestígios de calibre 7,62 mm, o do fuzil dele. No recurso ao STJ para livrá-lo do júri, um dos advogados era Flávio Nantes Bolsonaro, senador em exercício. O tribunal negou, por 3 a 2.

Os críticos de Flávio veem nisso mais um sinal das ligações dele com o crime organizado no Rio. O próprio vídeo ressalva: uma denúncia à ONU liga Flávio às milícias do Rio, e é uma acusação, não uma decisão.
O resto da lista
Na abertura no estilo Star Wars, "Episódio XVI: um novo vizinho", passam, entre outros itens: a denúncia por rachadinha no gabinete dele da Assembleia do Rio; R$ 638 mil em dinheiro vivo por dois apartamentos, segundo o Ministério Público do Rio (ele diz que pagou com cheque); uma medalha de honra a Adriano da Nóbrega, depois apontado como chefe de milícia, em 2005; o trabalho como advogado de dois ex-sócios do esquema de pirâmide do "Faraó do Bitcoin", em 2025; e uma emenda de R$ 200 mil a um instituto, intermediada, segundo a polícia, por um condenado no caso Marielle Franco.
Em carta lida na Local 10, Flávio agradeceu a Milei, a Trump e ao "maravilhoso povo americano" por acolhê-lo. O vídeo fecha lembrando uma manchete da Fox News de 2025: a Casa Branca reafirmava que qualquer imigrante ilegal pode ser deportado, com o governo Trump mirando "o pior do pior". A gente achava que os Estados Unidos queriam manter o pior do pior longe. Talvez a gente tenha entendido errado.