Família Bolsonaro e a arte de fugir: Jair, Eduardo e agora Flávio

Jair foi para Orlando e dormiu na embaixada da Hungria. Eduardo ficou nos EUA. Flávio perdeu, teve de entregar o passaporte e não entregou.

Independente do resultado da eleição, o Contraponto reconhece um mérito da família Bolsonaro: eles sabem fugir como ninguém. O pai abriu o caminho, Eduardo seguiu, e agora, depois da derrota de 25 de outubro de 2026, é a vez de Flávio. O Supremo mandou ele entregar o passaporte. O passaporte não foi entregue, e nem os advogados conseguem achar ele.

O pai abriu o caminho

Com a trama do golpe correndo em Brasília, Jair Bolsonaro embarcou para Orlando em 30 de dezembro de 2022, dois dias antes de passar a faixa presidencial. E não passou. A fonte na tela é o relatório final da PF sobre o inquérito do golpe, de novembro de 2024.

Nove dias depois, em 8 de janeiro de 2023, Brasília foi invadida. E ele estava bem longe, na Flórida, a 6.100 km. Só voltou em 30 de março de 2023.

Em fevereiro de 2024, já de volta ao Brasil, a Polícia Federal levou o passaporte dele na Operação Tempus Veritatis, em 8 de fevereiro, e prendeu gente do círculo dele. Quatro dias depois, na noite de 12 de fevereiro, ele foi dormir na Embaixada da Hungria, do amigo Viktor Orbán, também de extrema-direita. Entrou na noite do dia 12 e saiu na tarde do dia 14.

Quando o New York Times achou as imagens das câmeras de segurança, em 25 de março de 2024, a defesa explicou: ele estava lá "atualizando os cenários políticos das duas nações". No Carnaval, por duas noites.

Só que dentro de uma embaixada a polícia brasileira não pode entrar: é território inviolável, pela Convenção de Viena (art. 22). E, para o jornal, o medo era um só: ser preso. No celular dele ainda havia uma carta de 33 páginas pedindo asilo na Argentina, endereçada a Javier Milei, em que ele se dizia "perseguido". Ela foi salva em 10 de fevereiro de 2024, dois dias antes da embaixada, segundo a PF, via Folhapress.

Eduardo aprendeu rápido

Eduardo Bolsonaro foi para os Estados Unidos em 27 de fevereiro de 2025. Quando pediram o passaporte dele, em 18 de março de 2025, ele já estava lá e anunciou que ficava.

Virou réu, perdeu o mandato e continua lá. Tranquilo. Em 2025, faltou a 63 de 78 sessões, segundo os dados que aparecem na tela (STF, Câmara e Estado de Minas). O vídeo mostra uma foto dele na Disney, em 2025, publicada no Instagram de Heloísa Bolsonaro.

E agora, Flávio

Flávio Bolsonaro foi deputado estadual a partir de 2003 e senador a partir de 2019. No ano que vem, pela primeira vez em 24 anos, ele fica sem mandato. E já é investigado em dois casos no Supremo: o Dark Horse, com relator André Mendonça, e a PET 16.877, com relator Alexandre de Moraes.

Dois dias antes da eleição, em 23 de outubro, o irmão deu a dica num podcast nos Estados Unidos, segundo a CNN Brasil: "Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que ele deixe o país com certeza".

No domingo, ele perdeu: Lula teve 51,79% e Flávio, 48,21%. Na mesma noite, uma decisão de Alexandre de Moraes mandou ele entregar o passaporte em 24 horas.

Nesta terça, o jornal argentino Infobae disse que, na madrugada de 27 de outubro, ele já tinha cruzado a fronteira de Foz do Iguaçu para Puerto Iguazú para pegar um jatinho. A Argentina nega, pelo porta-voz de Milei. Mas o passaporte não foi entregue, e nem os advogados conseguem achar ele, segundo O Globo e a Gazeta do Povo.

Cadê você, Flávio?

Para o Contraponto, se tem uma família que sabe se borrar de medo, são eles. O vídeo fecha com imagens de Flávio no debate da Band de 25 de agosto de 2016, quando, como lembra a tela, a equipe dele disse que foi intoxicação alimentar. E a pergunta que fica: cadê você, Flávio?

Transcrição do vídeo

Independente do resultado das eleições, a gente precisa reconhecer o mérito da família Bolsonaro. Eles sabem fugir como ninguém. O pai abriu o caminho. Com a trama do golpe correndo em Brasília, ele embarcou pra Orlando, dois dias antes de passar a faixa.

E não passou. Nove dias depois, Brasília foi invadida. E ele, bem longe. Em fevereiro de 2024, já de volta ao Brasil, a Polícia Federal levou o passaporte dele e prendeu gente do círculo dele.

Quatro dias depois, ele foi dormir na Embaixada da Hungria, do amigo Viktor Orbán, também de extrema-direita. Quando o New York Times achou as imagens, a defesa explicou. Ele estava lá atualizando os cenários políticos das duas nações, no Carnaval, por duas noites. Só que dentro de uma embaixada, a polícia brasileira não pode entrar.

E pro jornal, o medo era um só, ser preso. E no celular dele, ainda tinha uma carta pedindo asilo na Argentina. O Eduardo aprendeu rápido. Quando pediram o passaporte dele, ele já estava nos Estados Unidos e resolveu ficar.

Virou réu, perdeu o mandato e continua lá. Tranquilo. E agora, o Flávio. No ano que vem, pela primeira vez em 24 anos, ele fica sem mandato.

E já é investigado em dois casos no Supremo. Dois dias antes da eleição, o irmão deu a dica num podcast americano. Se perder, sai do país. No domingo, ele perdeu.

Na mesma noite, o Supremo mandou ele entregar o passaporte. Nesta terça, um jornal argentino disse que ele já tinha cruzado a fronteira pra pegar um jatinho. A Argentina nega. Mas o passaporte não foi entregue.

E nem os advogados conseguem achar ele. Se tem uma família que sabe se borrar de medo, são eles. Cadê você, Flávio?

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