As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as midterms de 3 de novembro de 2026, tiveram um capítulo brasileiro. Na semana da votação, brasileiros levantaram no X a hashtag #DeportTheBolsonaros, uma das mais compartilhadas no Brasil, pedindo aos democratas a saída de Flávio Bolsonaro, que tinha entrado nos EUA por Miami com aval do governo Trump. Os democratas tomaram a Câmara e o Senado, mas não por causa do Brasil. E o Congresso americano não tem poder para deportar ninguém.
A hashtag e a promessa
Segundo o vídeo, Flávio entrou nos Estados Unidos em 28 de outubro, por Miami, com um parole: uma autorização temporária, que não é asilo (fontes na tela: NSC Total, 3/11, e SBT News, 2/11).
Um comentarista democrata, Isaiah Martin, chegou a prometer nas redes: "Com maioria, ele seria deportado."
O assunto apareceu até na fila de votação. Na Virgínia, um eleitor em Fredericksburg perguntou ao jornal Valor: "Que história é essa que tem um candidato do Brasil nos EUA?" (fontes na tela: NSC Total e Valor, via TV Sim, 3/11).
O resultado: democratas venceram, mas não pelo Brasil
Os democratas ficaram com a maioria nas duas casas. No placar mostrado na tela, ainda com apuração parcial na Câmara, eram 231 democratas contra 144 republicanos na Câmara e 54 a 44 no Senado (fontes: NBC News, CBS News, CNN e Washington Post, 4/11).

O que pesou no voto não foi o Brasil. Foram o custo de vida, a guerra no Irã e as tarifas. A aprovação de Trump estava em 38%, segundo a boca de urna da CBS.
O limite da promessa
A promessa tem limite: o Congresso não deporta. O que ele pode fazer é investigar o visto de Flávio e convocar Marco Rubio para dar explicações. Na tela, o vídeo cita uma carta de 25 deputados democratas, com resposta esperada até 13/11 (fontes: NSC Total, com ESPM e UFF, e Congresso em Foco).
A ironia
Em 28 de março de 2026, num discurso na CPAC, conferência conservadora no Texas, era Flávio quem pedia aos Estados Unidos "pressão diplomática" sobre o Brasil (fontes na tela: Congresso em Foco, Band e A Pública, 28/3).
Agora é o Brasil que bate na porta do Congresso americano.